quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Carta a um futuro incerto 

Eras tu a mãe que deixou a filha na creche, só porque a viste crescer no urbano holocausto em que te foste queimando ?

Eras tu o marido das lutas de braços marcados pelo odor do viscoso cimento que te aprisiona os pulmões numa ânsia de grito ?

Recorda-te lá: demos as balas aos corpos nos estilhaços do ganha-pão diário.

E sobrevivemos tão-só nos abraços dos outros.

Diz não à opressão, luta pela humanização.

O teu local de trabalho precisa de ti.

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